sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O menino e os diamantes

Certo dia circulou a notícia num longínquo povoado de que um grande e poderoso rei estaria de passagem por aquelas localidades. Evidentemente, todos os habitantes puseram-se à disposição para os preparativos da tão esperada visita.
Naquele povoado também vivia um homem que morava com seu filho de oito anos. Viviam com muitas dificuldades e só a muito custo conseguiam apenas o suficiente para a manutenção da vida. Habitavam numa cabana de um cômodo, coberta com palhas e o fogão servia, ao mesmo tempo, para o cozimento e aquecimento nos dias frios. Como os demais habitantes, esta minúscula família dependia do campo para sobreviver e exatamente naquele dia o pai enviou o filho ao campo para colher os últimos grãos de feijão para o almoço. Na volta para casa, a criança depara-se diante de um grande alvoroço em virtude da chegada do monarca que, acompanhado de toda a sua corte, desfilava majestosamente por aquelas ruelas. Movido pela curiosidade, a criança esforça-se para aproximar-se do carro real com o intuito de conhecer o bondoso rei.
Surpreendentemente, por motivos desconhecidos, o rei sente-se atraído por aquela criança e ordena que o cotejo seja parado imediatamente. Gentilmente, pede à criança que aproxime-se da carruagem e lhe faz a seguinte pergunta:
- Meu jovenzinho, o que tens tu para oferecer ao teu rei?
Prontamente, a criança enfia a mão na bolsa que pendia do seu ombro e pega os últimos grãos de feijão que havia colhido minutos antes e que serviria de refeição para aquele dia e apresentou ao rei como presente.
Vendo tal atitude e envolvido por uma grande emoção, o rei recebeu atenciosamente aqueles míseros grãos e continuou seu desfile. A criança, por sua vez, ainda degustando o prazer de ter estado tão perto do rei, é tomada pela apreensão de chegar a sua casa com as mãos vazias. De sobressalto, tem a sensação de que a bolsa na qual trazia os grãos de feijão estava pesada e, antes de entrar em casa, examinou-a com o fito de entender tal fenômeno; foi quando percebeu que sua bolsa estava repleta de preciosos diamantes. Cada grão de feijão foi substituído por uma pedra preciosa.
Escutei este fábula a muitos anos e desde então compreendi que Deus age da mesma forma conosco! Deus nunca exigiu grandes coisas de nós, ele apenas pede tudo o que temos dentro do nosso coração e algumas vezes o que temos é tão miserável que poderemos cair na tentação de achar que não vale a pena entregar ou até mesmo, em virtude do nosso apego às ninharias que guardamos e atribuímos grande estima crendo que são fundamentais para nossa sobrevivência, retemos o que nos é pedido e deixamos o bondoso rei de mãos estendidas. Quando assim agimos, jamais poderemos vislumbrar o milagre da transformação do que trazemos dentro de nós em preciosos diamantes.
Deus nos criou com a capacidade de escolher. Porém para fazermos escolhas conscientes é preciso que estejamos livres o suficiente para nos desprendermos de qualquer coisa, caso isso seja necessário. A pobreza de coração da qual o evangelho fala não é outra coisa senão a atitude de alguém que consegue pôr-se prontamente nas mãos de Deus e manifestar sua confiança inabalável naquele que nos projetou para a felicidade. Compreendo que a maior ilusão a qual nos expomos é a de pensarmos que os projetos de Deus visam a castração da nossa felicidade. Na realidade, o fato é que quando ele nos pede algo que, a primeira vista, parece absurdo, é para que nossas mãos estejam vazias para acolher a riqueza que pretende nos dar.